Rotulagem GHS: os elementos obrigatórios no rótulo do produto químico

Galões de produtos químicos sem rótulo, com tampas coloridas, armazenados lado a lado

Tive uma fábrica de produtos de limpeza. Uma das lições que ficaram foi esta: o rótulo não é enfeite da embalagem. É a primeira informação de segurança que chega na mão de quem vai abrir aquele galão.

E é também uma das primeiras coisas que o fiscal, o cliente grande e o auditor olham. Pictograma errado, frase faltando ou rótulo que não bate com a ficha de segurança mostram, de cara, que a gestão do produto químico não está em dia.

Neste artigo eu explico o que é o GHS, quais elementos o rótulo precisa ter, o que mudou com a ABNT NBR 14725:2023 e os erros que mais aparecem.

O que é o GHS?

GHS é a sigla em inglês para Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, criado pela ONU. A ideia é simples: o mesmo produto perigoso precisa ser classificado e comunicado do mesmo jeito em qualquer país.

No Brasil, o GHS chega por dois caminhos:

  • ABNT NBR 14725:2023: define como classificar o produto, como montar o rótulo e como elaborar a FDS (Ficha com Dados de Segurança).
  • NR-26: obriga a empresa a manter a classificação, a rotulagem preventiva e a FDS dos produtos químicos usados no local de trabalho, seguindo o GHS.

Ou seja: quem fabrica, importa ou distribui produto químico precisa rotular. E quem usa produto químico na operação precisa garantir que ele esteja rotulado, inclusive depois de transferido para outra embalagem.

Quais elementos o rótulo GHS precisa ter?

Anatomia de um rótulo GHS: identificação do produto, identidade química dos componentes que contribuem para o perigo, pictogramas de perigo, palavra de advertência Perigo ou Atenção, frases de perigo H, frases de precaução P, identificação do fornecedor com endereço e telefone e informações suplementares.

Para produto classificado como perigoso, o rótulo traz:

  1. Identificação do produto. O nome comercial, igual ao da FDS.
  2. Composição. A identidade química das substâncias que contribuem para o perigo.
  3. Pictogramas de perigo. Os losangos de borda vermelha, com o símbolo preto sobre fundo branco.
  4. Palavra de advertência. "Perigo" para as categorias mais graves e "Atenção" para as menos graves. Só uma das duas aparece no rótulo.
  5. Frases de perigo (H). Descrevem o perigo, como "Provoca queimadura severa à pele e dano aos olhos".
  6. Frases de precaução (P). Dizem como prevenir e como agir: usar luvas, em caso de contato com os olhos enxaguar com água, armazenar em local ventilado.
  7. Identificação do fornecedor. Nome, endereço e telefone de quem coloca o produto no mercado.
  8. Informações suplementares. Outros dados úteis que não conflitem com os elementos acima.

Produto não classificado como perigoso também precisa de rótulo no local de trabalho. Pela NR-26, a rotulagem pode ser simplificada, com o nome do produto, a indicação de que não é classificado como perigoso e as recomendações de precaução.

Quais são os pictogramas do GHS?

São nove, cada um ligado a um grupo de perigos:

PictogramaO que indicaExemplos de perigo
Bomba explodindoExplosivoExplosivos, autorreativos, peróxidos orgânicos
ChamaInflamávelLíquidos, gases e sólidos inflamáveis
Chama sobre círculoOxidantePeróxido de hidrogênio concentrado, nitratos
Cilindro de gásGás sob pressãoGases comprimidos, liquefeitos ou refrigerados
CorrosãoCorrosivoÁcido sulfúrico, soda cáustica, corrosivo para metais
CaveiraToxicidade aguda graveTóxico se ingerido, inalado ou em contato com a pele
Ponto de exclamaçãoPerigos menos gravesIrritação, sensibilização da pele, efeito narcótico
Perigo à saúdeEfeito grave à saúdeCancerígeno, mutagênico, tóxico para reprodução, sensibilizante respiratório
Meio ambientePerigo ao ambiente aquáticoTóxico para organismos aquáticos

A escolha não é por intuição. O pictograma sai da classificação de perigo do produto, feita com base nos dados das substâncias e nos critérios da NBR 14725. Rótulo montado sem classificação é chute.

O que mudou com a ABNT NBR 14725:2023?

A NBR 14725:2023 foi publicada em 3 de julho de 2023 e reuniu em um único documento as antigas quatro partes da norma. O prazo de adequação terminou em 3 de julho de 2025. Desde então, rótulos e fichas que não seguem a nova versão não estão conformes.

As mudanças que mais aparecem na prática:

  • FISPQ virou FDS. O nome passou a ser Ficha com Dados de Segurança, como no resto do mundo. As 16 seções continuam.
  • Atualização do GHS. A norma passou a seguir uma revisão mais recente do GHS da ONU, com classes e categorias de perigo novas e frases H e P revisadas.
  • Regras para embalagens pequenas. A norma passou a tratar de alternativas para frascos pequenos em que todos os elementos não cabem, como rótulos desdobráveis e etiquetas externas.

Se o seu rótulo foi feito com base numa FISPQ antiga, vale conferir. Frase de perigo com redação antiga ou classificação que não acompanha a FDS atual são os primeiros sinais de que o rótulo ficou para trás.

E o frasco de transferência?

Este é um dos erros mais comuns em fábrica e em manutenção: o produto chega com rótulo certo, alguém transfere uma parte para um borrifador, um balde ou uma garrafa, e essa embalagem nova fica sem identificação nenhuma.

A NR-26 trata de produto químico no local de trabalho, não só na embalagem original. Recipiente de transferência precisa estar identificado, no mínimo com o nome do produto e os perigos principais, para que ninguém use, misture ou descarte errado.

E nunca, em hipótese alguma, produto químico em garrafa de refrigerante ou de água. Esse é o caminho mais curto para uma intoxicação.

Rótulo GHS é a mesma coisa que o rótulo de transporte?

Não. O rótulo GHS comunica o perigo para quem manuseia e usa o produto. O transporte rodoviário tem a sua própria sinalização, com rótulo de risco e painel de segurança, pela regulamentação da ANTT. Os dois podem aparecer na mesma embalagem e um não substitui o outro.

Se a dúvida é o painel do caminhão, veja o artigo sobre placa laranja.

Produtos como saneantes, cosméticos e agrotóxicos têm também regras de rotulagem próprias dos seus órgãos reguladores. A NBR 14725 continua valendo para a matéria-prima química que entra na fábrica e para o produto químico de uso industrial.

Quais são os erros mais comuns?

Checklist de conferência do rótulo GHS: o nome do produto é igual ao da FDS; a classificação de perigo foi feita pela NBR 14725:2023; os pictogramas batem com a classificação; existe uma só palavra de advertência; frases H e P com a redação atual; fornecedor com endereço e telefone; recipientes de transferência identificados; FDS atualizada disponível para os trabalhadores.
  1. Rótulo que não bate com a FDS. Classificação, pictogramas e frases precisam ser os mesmos nos dois documentos.
  2. Pictograma escolhido "no olho". Sem classificação, o pictograma pode faltar ou sobrar.
  3. "Perigo" e "Atenção" no mesmo rótulo. Só uma palavra de advertência entra, a da categoria mais grave.
  4. FISPQ antiga como base. Fichas anteriores à NBR 14725:2023 não estão conformes desde julho de 2025.
  5. Frasco de transferência sem identificação. O produto perde o rótulo justamente onde é mais manuseado.
  6. FDS guardada na gaveta do escritório. A NR-26 pede que a ficha esteja disponível para os trabalhadores que usam o produto.
  7. Rótulo em outra língua. Produto importado precisa de rótulo e FDS em português.

Como a Scaletec faz?

  1. Levantamos os produtos. Lista do que a empresa fabrica, envasa, revende ou usa, com a FDS de cada um.
  2. Conferimos a classificação. Pictogramas, palavra de advertência e frases H e P contra a NBR 14725:2023 e contra a FDS.
  3. Corrigimos o que estiver errado. Rótulo de produto próprio, identificação de recipientes de transferência e FDS disponível no local de uso.
  4. Ligamos com a SST. Os produtos químicos entram no PGR, nos treinamentos e na escolha de EPI.

O engenheiro responsável sou eu, Alênio Honório: engenheiro químico, engenheiro de segurança do trabalho e registrado no CRQ-VII (Bahia). A Scaletec cuida da conformidade química e da segurança do trabalho com um só responsável, e atende de forma remota em todo o Brasil. Veja a página de responsável técnico e conformidade química.

Perguntas frequentes

O que é obrigatório no rótulo GHS?

Identificação do produto, composição dos componentes que contribuem para o perigo, pictogramas, palavra de advertência, frases de perigo (H), frases de precaução (P), identificação do fornecedor e informações suplementares.

Qual norma regula a rotulagem GHS no Brasil?

A ABNT NBR 14725:2023, que trata da classificação, do rótulo e da FDS. A NR-26 obriga as empresas a aplicar essa rotulagem aos produtos químicos usados no local de trabalho.

FISPQ e FDS são a mesma coisa?

A FDS (Ficha com Dados de Segurança) substituiu a FISPQ com a NBR 14725:2023. O prazo de adequação terminou em 3 de julho de 2025.

Qual a diferença entre "Perigo" e "Atenção" no rótulo?

"Perigo" é usado nas categorias mais graves e "Atenção" nas menos graves. O rótulo traz só uma das duas.

Produto químico não perigoso precisa de rótulo?

No local de trabalho, sim. A NR-26 permite rotulagem simplificada, com o nome do produto, a indicação de que não é classificado como perigoso e as recomendações de precaução.

Frasco de transferência precisa de rótulo?

Sim. O produto transferido para outro recipiente continua precisando de identificação, para que ninguém use, misture ou descarte errado.

Alênio Honório
Alênio HonórioEngenheiro químico e engenheiro de segurança do trabalho. Fundador da Scaletec, atua com SST e regulatório químico para empresas de todo o Brasil.
Diagnóstico gratuitoSua empresa está em dia com SST e com o regulatório?

Em uma reunião, você descobre o que a norma exige e o que está faltando.

O que a Scaletec faz
  • Gestão de SST: PGR, PCMSO, LTCAT, eSocial
  • Responsável técnico com registro no CRQ
  • Licença sanitária, FDS e rotulagem GHS

Leia também

Diagnóstico gratuitoSST e regulatório químico num só responsável.
Scaletec Engenharia e Tecnologia · SST e regulatório químico · Atendimento remoto em todo o Brasil